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O apoio das administrações e a existência de referências são fundamentais para a plena integração da mulher como motorista de autocarro profissional.
· A profissão de motorista ganha terreno em Espanha. De acordo com a DGT, a emissão de licenças para conduzir autocarros (carta D) entre as mulheres aumentou 89,65% nos últimos cinco anos.
· Os grandes centros urbanos têm as mulheres mais integradas no setor do que na periferia.

Madrid, 12 de março de 2021. Um dos principais desafios para o setor de transporte de pessoas em termos de empregabilidade é tornar a profissão de motorista atraente para as mulheres. Este desafio foi debatido em uma jornada no âmbito da III Semana da Mulher organizada pela Alsa, com a participação da EMT de Madrid e da empresa Interbus. Embora na Espanha, de acordo com o censo da DGT, 27,2% dos motoristas de ônibus sejam mulheres, com um aumento de 4% nos últimos cinco anos, a trajetória de crescimento é muito positiva se levarmos em conta que a emissão de carteiras de motorista de ônibus aumentou 89,65%, e este é o principal requisito para acessar a profissão.
De acordo com um estudo da McKinsey sobre o impacto da covid em diferentes profissões, o transporte é um dos setores que menos vulnerabilidade por perda de emprego sofreu, por ser um serviço essencial. Nesse sentido, as mulheres motoristas saíram fortalecidas. Julieta Micheo, diretora de Relações Institucionais e RSC da EMT de Madrid, referiu-se a isso em uma das mesas redondas da jornada de igualdade. "Trabalhamos em um setor sólido com projeção profissional estável", garantiu.
No entanto, as empresas do setor enfrentam a dificuldade de alcançar a igualdade em seus quadros, porque, embora agora haja muito mais, ainda são poucas as mulheres com carteira de motorista de ônibus. Paola Fernández, diretora de Recursos Humanos do Grupo Interbus, explica que "as mulheres que decidem entrar nesta profissão e obter a licença, o fazem como reconversão, não como uma vocação precoce, pelo que quando entram costumam ter entre 35 e 40 anos". "Estamos em um mercado com muitas oportunidades, mais do que mercados de trabalho feminizados".
Uma das principais conclusões da jornada é que urge uma mudança cultural em que as pessoas deixem de perceber esta profissão como masculina, como um trabalho pesado e sem possibilidade de conciliação. Embora os grandes centros urbanos tenham mais mulheres integradas no transporte do que na periferia, as medidas de discriminação positiva em algumas empresas ou de currículos cegos em outras são medidas que requerem o apoio das administrações, para fomentar e facilitar o acesso de mulheres à profissão, começando por coletivos em situação de desemprego.
No caso da Alsa, explica Verónica Marco, diretora de Gestão de Pessoas, "atrair talento feminino começa por dar visibilidade à profissão de motorista ou mecânica; incorporar indicadores que meçam a igualdade para tomar medidas mais eficazes; realizar campanhas de comunicação e sensibilização; o envolvimento absoluto da alta direção e do Comitê de Igualdade e Conciliação, como o que temos constituído na Alsa".

As diretoras concordaram que existem três chaves que influenciam a incorporação das mulheres no setor da mobilidade: apoio das administrações públicas, compromisso da Alta Direção das empresas; e, sobretudo, que as mulheres tenham referências dentro da profissão e possam vê-las desde a etapa mais precoce de sua formação.
Para concluir a jornada, a Alsa convidou três motoristas para contar sua experiência profissional ao volante: Chaxiraxi Jiménez, motorista de serviços turísticos na Alsa; Laura García, agente do Serviço de Atendimento Móvel ao Cliente e Ex-motorista da EMT; e Irene García, motorista Interbus.
As três explicaram que sua via de entrada na profissão foi mais circunstancial do que vocacional. Tinham outros trabalhos e por diversas circunstâncias acabaram tentando no setor da mobilidade, como motoristas, e todas concluem que foi uma grande decisão para sua vida pessoal e profissional. Como disse a própria Laura García, "é a melhor coisa que fiz na minha vida pela minha independência econômica e pela capacidade de conciliar, porque embora eu não seja mãe, tenho outros encargos familiares".
Em concreto, o caso de Chaxiraxi é peculiar, já que a Alsa nas Canárias conta com paridade absoluta entre o pessoal de condução e, no total, 70% do quadro da empresa das ilhas são mulheres. Um caso inédito que ela atribui ao fato de que é feita promoção interna na própria empresa para que as mulheres que exercem como auxiliares nos ônibus escolares possam se promover e acessar de maneira mais direta à profissão de motoristas. "É dada a oportunidade de darem o salto para motoristas e muitas aceitam", afirmava a motorista canária, em parte porque as veem trabalhar e como um exemplo de que podem se dedicar a isso.
Para Irene, motorista da Interbus, "a relação com os passageiros é muito fácil nos urbanos e interurbanos porque está muito normalizado ver mulheres dirigindo, mas em longo percurso choca mais os passageiros. No entanto, isso vai mudando pouco a pouco. A quem eu daria um monumento de gratidão é aos companheiros pelo tratamento sem distinção de gênero".
As três profissionais concordaram que para atrair mais mulheres é preciso dar oportunidades de acesso e até se oferecem para que sejam consultadas e passem tempo com elas para que as interessadas conheçam as vantagens desta profissão: a segurança laboral, a possibilidade de explorar um potencial desconhecido, o aprender um trabalho qualificado, assim como o sentimento de família entre motoristas, sem importar a companhia a que pertencem.
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